domingo, 29 de setembro de 2013

Por um Mero Segundo

Queria eu que olhasses pra mim
Com a vista turva e os olhos baços, ébria de vontade
Da vontade que tenho de termos um ao outro
Por um mero segundo, com os lábios colados,
E apenas...

Tu me bastas.
É a única coisa que quero envolta por mim
Um fruto da insana ilusão que permeia minhas meninges
O ar e o escafandro que me aprisionam num aquário de desejos
E apenas...

Queria que estivesses assim como eu,
Iludida por um nada que surgiu.
O vácuo de nossas existências completo por um e outro,
Simbioticamente unidos como Hermafrodita
E apenas...

Em cada esquina espero esbarrar em tua pessoa
E num constrangimento de só nos conhecermos previamente,
Agirmos como crianças e cumprimentarmo-nos com um aceno
Perguntar o que fazemos por aqui
E apenas...

E numa tarde chuvosa, como essa em que exponho estes meros devaneios,
Sair na névoa doce de um amor inexistente
Em ter-te não só em meus pobres pensamentos,
Por uma vida inteira ou por um dia
E apenas.
                                                                                              Um Fauno (29/09/13)