quinta-feira, 17 de maio de 2012

Da Vontade

Do tempo, não espero mais nada...
Roubou o que eu mais queria
Do tempo, quero distância...
Prefiro permanecer parado
Congelado, permaneço
Longe das dores que o mundo despeja
Longe das flores que brotam na noite desgostosa
A noite, invejosa, é só mais uma aliada do tempo
Este que me oferece a mão aberta
E que recuso.
Deixo que ofereça àqueles que realmente merecem.
O sofrimento é deixado de lado
E a vida passa diante de meus olhos...
Onde? Em qualquer lugar.
O mundo gira ao redor de quem merece
E há aqueles que o mundo esquece
E permanece girando como se não os houvessem...
Como se houvessem regras a serem seguidas
Na medida em que o tempo leva minha sanidade,
Eu permaneço acordado
Como se ainda houvesse algo a ser feito
Viro a dose, acendo mais um cigarro e sigo o rumo que a rua me faz
Sigo o rumo que a vida me traz.
Deitado no leito, peso o que o dia me trouxe
E nenhuma dor pesa mais que uma palavra...
Vejo que nada é tão importante que não possa ser esquecido
E retrato a realidade apenas pela necessidade de escrever
Um verbo que seja
Morrer? Amar?
Iguais para mim...
Escrevo, apenas porque as palavras são muito mais fortes que eu.
A vontade assola os campos de meus dedos
E derramo meu sangue por tinta, por meio de um texto em Arial 12...
Se te atingir, melhor pra ninguém.
Prefiro que este se mantenha em segredo
Tua aliança é mais forte que meu vil desejo...
E deixo correr a vida, girando o mundo através do tempo
Mas do tempo, não quero mais nada.
Pois o tempo roubou meu abraço.
                                                                                              Um Fauno (17/05/12)

terça-feira, 1 de maio de 2012

Perdido

Era Sangue
O que corria em veias tortas
Era sangue
O que passava em ruas mortas
Era dia
E nem o sol queimava as notas
Era fria
Silenciosa manhã de inverno
No inferno...

Era pouca
E mesmo assim mais do que tudo
Era louca
A sensação de estar sozinho
Era clara
A insensatez da insanidade
Era calma
A imponência dos arautos
Era de pedra...

Era mesmo
Tudo aquilo que esperava?
Era mesmo
O mundo que ao teu redor girava?
Era grande
A impaciência do conclave
Era frágil
A densidade das palavras
Era dia...

E mesmo assim
Estava calmo e paciente
E mesmo assim
Continuava tua busca incessante
Era mesmo
Necessário tanto desprezo?
Era mesmo
Necessário teu desespero?
Era lógico...
                                                                                              Um Fauno (01/05/12)